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Atualizado 18/11/2016 13:16:45 CET

A doença celíaca é uma entidade freqüente, que afeta cerca de uma em cada cem pessoas, sendo mais freqüente nas mulheres. Uma percentagem importante de doentes (75%) estão sem diagnóstico, daí a necessidade de levar a cabo uma pesquisa intencional de sintomas ou combinações de sintomas que devem suscitar a suspeita clínica.

GLÚTEN: VIVER SEM GLÚTEN

Os celíacos têm uma intolerância permanente ao glúten do trigo, cevada, centeio e, provavelmente, aveia que ocorre em indivíduos geneticamente predispostos, caracterizada por uma reação inflamatória, de base imunológica, na mucosa do intestino delgado, dificultando a absorção de macro e micronutrientes.

Embora, às vezes, os sintomas podem ser atípicos ou estar ausentes, os pacientes tendem a sofrer perda de peso, perda de apetite, fadiga, náuseas, vómitos, diarreia, distensão abdominal, perda de massa muscular, retardo do crescimento, alterações do caráter (irritabilidade, apatia, introversão, tristeza), dor abdominal, meteorismo, anemia por deficiência de ferro resistentes a tratamento.

Quanto ao tratamento, a Federação de Associações de Celíacos do Brasil lembre-se que para controlar a doença, há que fazer uma dieta rigorosa sem glúten por toda a vida. Isto leva a uma normalização clínica e funcional, bem como a reparação da lesão vellositaria.

O celiaco deve basear sua dieta em alimentos naturais: legumes, carnes, peixes, ovos, frutas, verduras, legumes e cereais sem glúten: arroz e milho. Devem ser evitadas, na medida do possível, os alimentos preparados e/ou embalados, já que nestes é mais difícil garantir a ausência de glúten.

A ingestão de pequenas quantidades de glúten, de uma forma continuada, ocasiona a deterioração das vilosidades intestinais. Como conseqüência, pode ocorrer um defeito de malabsorción de nutrientes (princípios imediatos, sais minerais e vitaminas), que leva a diversos estados de carência, responsáveis por um amplo espectro de doenças.

Do ponto de vista psicológico, a pessoa celíaca não é diferente do resto da população, mas a informação é escassa, as dificuldades para realizar corretamente a dieta ou a falta de apoio da sociedade, podem dar lugar a que alguns pacientes se sintam ansiosos e deprimidos.

DIAGNÓSTICO PRECOCE DA DOENÇA CELÍACA

De acordo com a orientação do Ministério da Saúde sobre o ‘Diagnóstico precoce da doença celíaca”, existe 8 sinais que podem ser de sumo interesse para o diagnóstico precoce da mesma. No Infosalus.com as reunimos aqui:

1. Na criança pequena, os sintomas intestinais e o atraso de crescimento, sobretudo se acompanhado de irritabilidade e anorexia, constituem um quadro clínico muito sugestivo de doença celíaca.

2. Na criança maior e no adolescente, o achado de um atraso de tamanho ou da puberdade, assim como uma ferropenia ou uma hipertransaminasemia, sem outra justificação, obriga a descartar a existência de doença celíaca.

3. Em adultos, a apresentação clássica da doença, na forma de diarreia crónica com clínica de malabsorción é incomum, sendo mais frequente a presença de sintomas pouco específicos.

4. Há que ter em conta que a probabilidade de padecer de uma doença celíaca aumenta em determinados grupos de risco. Estes incluem, principalmente, os familiares de primeiro grau, determinadas doenças auto-imunes (diabetes tipo I, hipotireoidismo, etc.) e algumas cromosomopatías como a síndrome de Down.

5. Muitas vezes, o doente celíaco tem sido visitado por inúmeros médicos e submetido a vários exames complementares, sendo rotulado de ‘transtorno funcional’. Os especialistas aconselham uma atenção especial para estes pacientes, em particular, se, além disso, referem uma história de aftas bucais, astenia, irritabilidade ou depressão.

6. A possibilidade de a doença celíaca deve ser tida em conta, também, em pacientes com saciedade precoce ou dor epigástrica ou queimação epigástrica (dispepsia dismotilidad ou desconforto pós-prandial, especialmente se associam flatulência, inchaço e meteorismo. Nestes casos, a suspeita de doença celíaca em pacientes que sofrem com estes sintomas deve ser fortemente considerada quando os sintomas são crônicos e recorrentes, e não responderam adequadamente ao tratamento empírico.

7. Os pacientes que sofrem de diarréia crônica e intermitente e que foram catalogados de síndrome de intestino irritável (SII), devem ser revistos de forma minuciosa. A coexistência de flatulência ou distensão abdominal, borborigmos e fezes misturadas com abundante gás (‘explosivas’) obriga a considerar a possibilidade de uma doença celíaca, também a prisão de ventre crônica não é um sintoma exclusivo de sofrer a EC.

8. Além disso, deve ser avaliado para um diagnóstico das seguintes situações ocorrem sem explicação demonstrável: As mulheres em idade fértil com ferropenia, infertilidade e abortos recorrentes; os que apresentam elevação de transaminases; os que referem uma história de fracturas perante traumatismos mínimos ou osteopenia/osteoporose detectada antes da menopausa ou em um homem adulto jovem.

COMO EXCLUIR SER CELÍACO?

Os marcadores serológicos (AAtTG), são de escolha para iniciar o estes os pacientes com maior probabilidade de apresentar doença celíaca; a sorologia negativa não permite excluir o diagnóstico desta doença. De fato, uma proporção de pacientes com doença celíaca, que apresentam formas histológicas leves e até mesmo com atrofia de vilosidades, não expressam anticorpos antitransglutaminasa no soro.

Por outro lado, existe a possibilidade de realizar um estudo genético (HLA-DQ2/DQ8), muito útil no manejo da doença celíaca, uma vez que quase a totalidade dos pacientes celíacos são HLA-DQ2 ou DQ8 positivos. A sua determinação tem utilidade clínica em casos de pacientes com suspeita clínica bem fundada e estudo de uma pandemia negativo. Um estudo genético negativo exclui quase totalmente a doença celíaca, evitando, com isso, testes invasivos, complexas e de maior custo.

glúten celíaca

TRATAMENTO DA DOENÇA CELÍACA

O único tratamento eficaz disponível atualmente, é o seguimento de uma dieta rigorosa sem glúten (DSG), mantida de forma contínua, durante toda a vida do paciente, que consiste em suprimir do consumo habitual, todos os alimentos preparados ou que contenham farinha de trigo, fundamentalmente, mas também de centeio, cevada e aveia.

Todos esses alimentos podem ser substituídos por outros similares, que são feitos com farinha de milho ou de arroz, já que são os dois únicos cereais, que constitucionalmente são desprovidos de glúten.

Não obstante, não é tão fácil, já que a farinha de trigo está presente na composição ou no tempero de muitos alimentos, ou como aditivos de uma variedade de molhos, já que se trata de um bom espessante. Os pacientes que não respondem a retirada do glúten da dieta, devem ser avisados a frequente existência das chamadas “contaminação cruzada” ou do consumo inadvertido de produtos que contêm glúten e você deve fazer um estudo sistemático orientado para a busca de possíveis doenças ou complicações associadas.

CARRINHO DE COMPRAS PARA CELÍACOS

De acordo com a Federação de Associações de Celíacos do Brasil, 80 por cento dos produtos manufaturados podem conter glúten: enchidos, bolos, chocolates, molhos, sobremesas, laticínios, condimentos, etc., por isso que muitos desses têm que ser de qualidade “extra”, já que os de qualidade inferior, de acordo com a legislação atual para este tipo de produtos podem trazer em sua composição farinhas, espessantes, amidos, etc.

Os produtos considerados básicos na dieta (pão, biscoitos, massas italianas, etc.), têm que ser substituídos por produtos especiais sem glúten, cujo preço é muito mais elevado do que os considerados com glúten, como bem comprova a documentação em anexo.

“Apesar dos avanços que têm ocorrido no sector alimentar dos produtos “Sem Glúten”, as diferenças de preços entre os produtos com glúten e sem glúten são muito importantes”, advertem. O certo é que, de acordo com seus estudos uma família com um celíaco no seu seio tem um gasto superior de 1.468,72 euros em carrinho de compras anual.

8 sinais para um diagnóstico precoce

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